sexta-feira, 8 de julho de 2022

tenho fome da tua boca

da tua voz do teu cabelo e ando pelas ruas

sem comer calado não me sustenta o pão

a aurora me desconcerta busco no dia

o som líquido dos teus pès estou faminto

do teu riso saltitante das tuas mãos cor

do furioso celeiro tenho fome da pálida

pedra das tuas unhas quero comer a tua

pele como uma intacta amêndoa quero

comer o raio queimado da tua formosura

o nariz soberbo do rosto altivo


quero comer a sombra fugaz das tuas mãos

e faminto venho e vou farejando o crepúsculo


à tua procura procurando o teu coração ardente

como uma puma na solidão de Quitratue

 
 

Sem comentários:

Enviar um comentário

uma brisa

suave e fresca se inebria em mim algo itinerante e sinto - me estranhamente universal num sonho perdido no sonho tenho o passaporte do além ...