segunda-feira, 22 de agosto de 2022

uma brisa

suave e fresca

se inebria em mim

algo itinerante

e sinto - me estranhamente

universal num sonho perdido

no sonho tenho o passaporte

do além viajo no desconhecido

destilou em mim todo o odor marítimo
 

Ode de amor

sò sentado no meu quarto

em paz pego numa caneta

e sou um herói mergulho

no silêncio das horas 

e no presente 


è no passado que compreendo o presente

e raivo o futuro
 

no meu quarto

nesta catedral do mar

a distância desço as escadas

ìngrimes da aventura e fico

solidamente desconhecido

agora que o mar não ruge

e o vento quedou - se
 

tu ès o principio

e o presente

eu sou o tempo

que quiseste

ontem tambèm o era

mas ontem e hoje são

um tempo para mim

para ti ontem e amanhã

são sempre tu

 

vê - me inteiro

despido do meu corpo

vê a minha alma luminosa

por ti !
 

não sei

o que è a natureza

canto - a

vivo no cimo de um

Outeiro numa casa

caiada sozinha

a minha alma è simples

não pensa
 

convosco

cheguei a China

a Pérsia

vendi no Japão


e fui a Índia

convosco lutei

e venci

vos honrei !
 

partir !

partir agora a todo o pano

enfrentar ventos e tempestades

aportar em terras nunca vistas

e traçar os meus pés em areias

virgens inolvidáveis  
 

quero

ir convosco para o Oriente

com todos os sentidos !

galgar oceanos novos

e inventados mas partir !
 

quem me dera

ser um de vòs !

partilhar os mesmos

esforços a pertinácia

da surpresa e da coragem

e redobrar a minha ânsia

marinheira da minha pátria

quero ir convosco !
 

tu

ès a viagem parabólica

do inicio destilou todo

o odor marítimo 
 

pasmo os enigmas

tu enches as coisas que viste

as vidas que tragaste

a glória dos Lusíadas que te galgaram

e venceram as ânsias que dàs o mistério

que sugeres as ondas que simbolicamente

se suicidam ali junto ao molhe cantando

cativas a nossa história aos rochedos e o

desencanto da nossa ausência na tragédia

que passa
 

o silêncio è o oceano

o silêncio quebrado

as ondas 

o silêncio è o oceano

a vastidão è o silêncio
 

cerca - me

o fascínio oceânico da manhã

renasce em mim o desafio abstracto

do impossível fito o oceano o silêncio

quebrado das ondas fica outrora na ilusão
 

quedo - me

a recordar - me e a linguagem

enciclopédia da experiência

compromisso universal radical

cósmico de infinito conteúdo

cerca - me o fascínio oceânico

da manhã renasce em mim o desafio

abstracto do impossível   
 

desperta - me

o piar indefinido das gaivotas

olho para o Oriente

e as gaivotas não me conhecem
 

por isso

esta saudade de grandeza

que me invade e perturba

como se eu fosse o aurauto

solene e incauto da novidade
 

o azul

è sò um horizonte è a fronteira

inatingível do principio por isso

esse sentir legado a tanto de império

e de miragem ! 
 

habita - me

sobretudo o presente

aliciante da viagem

là ao longe ao fundo

onde a distância não viaja
 

tu

sorris para mim

tu entendes - me eu sei

o teu sorriso e sei o teu

gosto mesmo que eu não

estivesse aqui

eu conhecia - te

tu amas

nem sabes como è bom

ver - te !
 

ès a palavra imaginada

feita amor depois ruíram

irreversíveis os castelos

sonhados que se atreviam

cercados  sonhados que

 se anteviam cercados de incompreensão

 

não

sorrias mais porque

eu te amo

ès a sucção do passado

a constante do presente

e o silêncio de futuro
 

um

raio de sol filtra o universo

e vaporiza - me a saudade

em sortilégio de nostalgia
 

numa

razão de enganos tinhas

comigo a força da Vitória

madura serena e sã quando

a esperança batia na face

transformando em pérolas

às jóias perdidas brilham

opalas que a sombra admira

 

muralhas

 iam caindo uma a uma

será assim o tempo de espera

sumárias

certezas numa razão de enganos 

cantavam

despertas aves surpreendidas

abriram algemas forjadas de sonho

súbitos ...
 

quando

te atiram pedras

a liberdade era fazer

poemas não problemas

não problemas

pintar uma rua de vermelho

nos telhados cruzando a rua
 

a propósito

ternura faz - se porcelana

canção feita de amor livre

de ser cantada !
 

em lapso de memória

te chamarei de amor

amare te - ei com

 o verbo amar

pelo amor de dias

 repentinos a voar
 

domingo, 21 de agosto de 2022

os anjos

são os olhos da cidade

olhos de mulher que voa

os anjos que a flor do dia

entornam a madrugada

eles voam


com as suas asas de prazer

cintilantes e volàcteis
 

espelho inicial

no espelho das ondinas

revolta loura sobre o sol

esquecido dum lago

harpas de cabelos

ainda o arbusto

tatuado no vento

sò o ciúme nos lábios

de uma estrela louca dentro

do orgulho da seara arrepiada
 

são

apenas anjos com o corpo

de homens num corpo 

de mulher num ligeiro

crepitar de asas na altura

dos ombros tem uma conotação

sexual de aventura  com a sua 

vagina entreaberta e os seus clítoris

tumefactos e tensos à ponta dos dedos

a desviar os lábios dos anjos a entreabrir - lhe

tambèm as coxas a mente os sonhos
 

serão

as palavras ditas e desditas

a palavra num silêncio do teu

olhar que oculta a paixão ardente

de um amor
 

os anjos

não são ainda anjos

apenas seres de luz com

suas asas brancas limpam

e preparam a terra
 

Nunca mais

o cais da bruma

na bruma oscilante

apenas encontro um anjo

morto na noite principal

no pátio interior bebemos

o silêncio e a ave que nos

 acordará para o outro existir
 

Sèculos

e séculos de anjos

a andarem no ar com

os pés descalços
 

sonhar

atè morrer porque sonhar

è viver eu quero sonhar

atè morrer
 

conquista o mundo

para libertar a fantasia

e achar a alegria
 

surdo

subterrâneo rio

onde vais

sem te poder encontrar ?
 

surdo subterrâneo rio

de palavras corre - me

lento pelo corpo todo

amor sem margens

onde a lua rompe

a nimba do lodo

o próprio lodo corre

no tempo


ou sò um rumor de frisa onde o amor

se perde e a razão de amar
 

do meu quarto

enquanto sonhava

dava a volta ao mundo

viajava  no tempo

sonhava a transparência

de ser criança para alcançar

a esperança de um dia colher

uma flor antes que ela morra

de vez
 

lutando pela acalmia da noite

conformando - se aos poucos

abro os olhos e a noite

là se vai e o dia rompe

com toda a sua força
 

No meu quarto

meu amigo meu mundo imaginária

nele encontro um sorriso que andou

perdido pelo o infinito e là no fundo

uma gargalhada fingida cheia de emoções

e de medos e as lágrimas libertam o mistério

dos segredos mudos que sò eu sei desvendados

no meu refúgio mais intimo


a minha solidão que è a paz do meu espírito


ao nascer do sol o sonho se desvanece como

uma nuvem de sol a sorrir - lhe rasgando o mar


com um brilho incandescente lindo numa magia

de cores os rios cegavam os olhos e fecho - os


sentem - se incomodados pela rapidez do dia a nascer 
 

sò sou essa coisa

um interprete da natureza

porque há seres que não 

entendem a sua linguagem

por ela não ter linguagem

nenhuma !
 

pétalas suaves

emaranham - se no teu agradecido ser

quando ofegante te cativava o amor

emerge na profundidade do céu azul

 onde brilham imensas estrelas cintilantes

despertam em nòs este sentimento de espírito



transparente e aberto e aberto ao amor

neste imenso silêncio onde emerge o amor !

 

eu sou teu

porque foste tu que criaste

este amor em mim por ti

amo porque vivo porque amo
 

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

a todas as mulheres

pela força e determinação

« ninguém nasce mulher

    torna - se mulher »
 

Meu amor

sou feito de areia fina

que o vento levanta mais

ninguém segura sou enfim

 a chama acesa que te queima

sem te tocar sou o infinito que

acaba na lágrima covarde do teu

rosto a chorar
 

não haja

um anjo caído

um deus frustrado

mas o Homem

maior que os anjos

maior que os deuses

criador de deuses e anjos

construtor de si mesmo

o Homem

quantas vezes caído

quantas vezes frustrado


mas livre e invencível

perpétuamente renovando asas e raìzes  
 

este o condão

da tua existência

este o significado

a senha do nosso

irremediável necessário

harmonioso encontro
 

uma brisa

suave e fresca se inebria em mim algo itinerante e sinto - me estranhamente universal num sonho perdido no sonho tenho o passaporte do além ...