se inebria em mim
algo itinerante
e sinto - me estranhamente
universal num sonho perdido
no sonho tenho o passaporte
do além viajo no desconhecido
destilou em mim todo o odor marítimo
se inebria em mim
algo itinerante
e sinto - me estranhamente
universal num sonho perdido
no sonho tenho o passaporte
do além viajo no desconhecido
destilou em mim todo o odor marítimo
em paz pego numa caneta
e sou um herói mergulho
no silêncio das horas
e no presente
è no passado que compreendo o presente
e raivo o futuro
a distância desço as escadas
ìngrimes da aventura e fico
solidamente desconhecido
agora que o mar não ruge
e o vento quedou - se
eu sou o tempo
que quiseste
ontem tambèm o era
mas ontem e hoje são
um tempo para mim
para ti ontem e amanhã
são sempre tu
canto - a
vivo no cimo de um
Outeiro numa casa
caiada sozinha
a minha alma è simples
não pensa
enfrentar ventos e tempestades
aportar em terras nunca vistas
e traçar os meus pés em areias
virgens inolvidáveis
partilhar os mesmos
esforços a pertinácia
da surpresa e da coragem
e redobrar a minha ânsia
marinheira da minha pátria
quero ir convosco !
as vidas que tragaste
a glória dos Lusíadas que te galgaram
e venceram as ânsias que dàs o mistério
que sugeres as ondas que simbolicamente
se suicidam ali junto ao molhe cantando
cativas a nossa história aos rochedos e o
desencanto da nossa ausência na tragédia
que passa
renasce em mim o desafio abstracto
do impossível fito o oceano o silêncio
quebrado das ondas fica outrora na ilusão
enciclopédia da experiência
compromisso universal radical
cósmico de infinito conteúdo
cerca - me o fascínio oceânico
da manhã renasce em mim o desafio
abstracto do impossível
que me invade e perturba
como se eu fosse o aurauto
solene e incauto da novidade
inatingível do principio por isso
esse sentir legado a tanto de império
e de miragem !
tu entendes - me eu sei
o teu sorriso e sei o teu
gosto mesmo que eu não
estivesse aqui
eu conhecia - te
tu amas
nem sabes como è bom
ver - te !
irreversíveis os castelos
sonhados que se atreviam
cercados sonhados que
se anteviam cercados de incompreensão
comigo a força da Vitória
madura serena e sã quando
a esperança batia na face
transformando em pérolas
às jóias perdidas brilham
opalas que a sombra admira
a liberdade era fazer
poemas não problemas
não problemas
pintar uma rua de vermelho
nos telhados cruzando a rua
olhos de mulher que voa
os anjos que a flor do dia
entornam a madrugada
eles voam
com as suas asas de prazer
cintilantes e volàcteis
revolta loura sobre o sol
esquecido dum lago
harpas de cabelos
ainda o arbusto
tatuado no vento
sò o ciúme nos lábios
de uma estrela louca dentro
do orgulho da seara arrepiada
de homens num corpo
de mulher num ligeiro
crepitar de asas na altura
dos ombros tem uma conotação
sexual de aventura com a sua
vagina entreaberta e os seus clítoris
tumefactos e tensos à ponta dos dedos
a desviar os lábios dos anjos a entreabrir - lhe
tambèm as coxas a mente os sonhos
a palavra num silêncio do teu
olhar que oculta a paixão ardente
de um amor
na bruma oscilante
apenas encontro um anjo
morto na noite principal
no pátio interior bebemos
o silêncio e a ave que nos
acordará para o outro existir
lento pelo corpo todo
amor sem margens
onde a lua rompe
a nimba do lodo
o próprio lodo corre
no tempo
ou sò um rumor de frisa onde o amor
se perde e a razão de amar
dava a volta ao mundo
viajava no tempo
sonhava a transparência
de ser criança para alcançar
a esperança de um dia colher
uma flor antes que ela morra
de vez
nele encontro um sorriso que andou
perdido pelo o infinito e là no fundo
uma gargalhada fingida cheia de emoções
e de medos e as lágrimas libertam o mistério
dos segredos mudos que sò eu sei desvendados
no meu refúgio mais intimo
a minha solidão que è a paz do meu espírito
ao nascer do sol o sonho se desvanece como
uma nuvem de sol a sorrir - lhe rasgando o mar
com um brilho incandescente lindo numa magia
de cores os rios cegavam os olhos e fecho - os
sentem - se incomodados pela rapidez do dia a nascer
porque há seres que não
entendem a sua linguagem
por ela não ter linguagem
nenhuma !
quando ofegante te cativava o amor
emerge na profundidade do céu azul
onde brilham imensas estrelas cintilantes
despertam em nòs este sentimento de espírito
transparente e aberto e aberto ao amor
neste imenso silêncio onde emerge o amor !
que o vento levanta mais
ninguém segura sou enfim
a chama acesa que te queima
sem te tocar sou o infinito que
acaba na lágrima covarde do teu
rosto a chorar
um deus frustrado
mas o Homem
maior que os anjos
maior que os deuses
criador de deuses e anjos
construtor de si mesmo
o Homem
quantas vezes caído
quantas vezes frustrado
mas livre e invencível
perpétuamente renovando asas e raìzes
suave e fresca se inebria em mim algo itinerante e sinto - me estranhamente universal num sonho perdido no sonho tenho o passaporte do além ...