força
desmedida que nos faz sonhar
e voar
e por ele mudar o ruma da nossa
vida
è viver a procura da oitava maravilha
sempre
prestes a acontecer
força
desmedida que nos faz sonhar
e voar
e por ele mudar o ruma da nossa
vida
è viver a procura da oitava maravilha
sempre
prestes a acontecer
estou
cansado de escrever
palavras
e mais palavras sem
conseguir
que a minha entre em
conflito
com a tua e se faça ouvir
da
poesia deixo - te palavras
facetadas
em rios de fantasia de águas
apressadas
sò na margem do sono na nascente
da
ilusão no ventre das montanhas nascem
tais
rios e torrentes caudalosas nas entranhas
se
lançam no mar da nossa emoção
o
olho o pè a mão o muito
o nada
fechados nos signos
de um mapa emaranhado onde
roda e balouça
um mundo pintado
sento
quero ser rio que corre num
eterno
movimento quero ser a ave
que
canta e grita e voa com o
vento
o
destino se acabará a
fingir
ou a mentir passarão
nossos
olhos pela ternura de
um olhar
um olhar
passeiam - se as vezes os os meus
olhos
e se vão afogar nos teus a brilhar
tentando
sair ou entrar ou ficar e contra gosto
lutando
para não sentir
o
sol a queimar a brisa
do
mar o cheiro a mar
salgado
o aroma do vento
no ar
o esplendor do amor
a
pele a arrepiar as ondas
a
baterem a alma a voar
instantes do mar
se
guardam como relíquias
alguns pequenos gestos ou
olhares
penetrantes por vezes indiscretos
atè
toques suaves em breves instantes
ou
sintonias de palavras meigas ou
encontros
casuais e são essas imagens singulares
especiais
que se recordam primeiro quando estamos
sòs quando a distância è imensa entre nòs
desde o momentoderradeiro
emoções
giram a minha volta
e
há ocasiões que correm
à
solta fazendo desabrochar
sentimentos
sem fim que jà não cabem
dentro de mim
e não sei
quisera eu falar - te e
nada digo
sò no silêncio encontrei
um
lugar para estar contigo
dentro
de mim mil e um poemas
a
doer a minha alma grita comigo
minúsculo
o olho o pè a mão o muito
o
nada fechados nos signos de um
mapa
emaranhado onde roda e balouça
um mundo pintado
o
sol que se vai para o
outro
lugar iluminar deixando -nos
a lua a iluminarmos
sem o adeus
quando
olho para mim vejo
a
vida a acontecer como
uma
flor de um jardim e sinto
a
primavera e vejo a alma
cà
dentro bem no centro assim a
sorrir
sem
eira nem beira na paisagem tu ès a
margem
que procuro alcançar e onde quero poisar
e
não consigo nem sei se já fui luz no teu
coração
e nele resplandeci num sei se num breve
instante
ao menos me viste a sonhar poisado em
ti
do
presente e do ser como sonho
aqui
nutre e esfaima o amor o olho
nunca
saciado percorre a vigília e o
sono desce
voragens abre na sombra o
deslumbramento
busca no olho a incauta resposta
do
sempre ... a mão ensaia caricias nega
promessas aponta a hora da alvorada
o ramo que brota contra os passos obrigado
a salvação o pè tropeça o nada desfaz a espera
clareia
dentro da noite funda e è o lugar
a
casa uma luz a caminho um sinal
que
avança e è aqui o paraíso onde è
dado
habitar e è caro e tremendo aqui
confunde - se
o sintoma do presente e do ser
como o sonho
de
resistir penando como
se
a única meta falhasse
no
desejo indefinido nome
improvável
lugar gota na onda aberta
sombra na sombra
fechada
quando o navio desce rumo
a hora
que clareia dentro da noite funda
do
meu mundo sem jardins
iluminados
na flor dos canteiros
profundos
e eu te encontro tantas
vezes
para palavra sonhar - te
aprende
mais ninguém entende
meu
amor sou escritos em vàrias
linhas
que todas lêem mas ninguém
mas ninguém
decora sou feito de casa
sem muros
a criança voltou corre
no
vento olho o dióspiro
com
o sol de frente a mim
eram
os teus olhos luz
fulminante
em meu ser adormecido
no
teu olhar cheio de amor
transbordas os oceanos
de amor
tambèm
voltou continua a correr
nos
meus dias sinto os seus
olhos
pequenos brilham brilham
como
pregos cromados
Feliz dia das criança
de
todo o mundo
voltam
correm no molhe correm
no
vento tive medo que não
regressassem
não se sabe porquê mas
elas
tambèm morrem elas frutos
solares
laranjas romãs dióspiros sumarentas
no Outono
sinto
os teus dedos a cantarem
com a chuva a criança
voltou
e nasceu com ela o poeta
não
sei se algum dia num breve
instante
ao menos me viste a sonar
poisado em ti
alcançar
e onde quero poisar
e
não consigo nem sei
se
já fui luz no teu coração
traz
consigo o mar està velho e magro
negro de crude tambèm traz árvores
secas
e sem nenhum pássaro mesmo
sem
vento cambaleia tenho dò das suas
filhas
de bòrea na rua a respiração difícil
ao
sino da paróquia prefere atiçar
os
seus cães as pernas de deus e
cobradores de impostos lìngua
do
fogo do não caminho estreito
e
surdo de abdicação a poesia
è uma espécie de animal no
escuro recusando a mão que
chama animal solitário as vezes
irónico as vezes amável quase
sempre paciente e sem piedade
a poesia adora andar descalça nas
areias de verão
de
ser chama ou água fluir
no
lugar de ser pedra perdoai -me
a transparência
habito
onde as suas bicas
as
suas bocas jorram as
palavras
que no cântaro a noite
recolhe
e bebe com agrado sabem
a terra
por serem minhas não sou daqui
e
não vos devo nada
e
sorrio porque não se tal vocação
não è apenas uma escolha entre
riquezas
como Keats diz ser a poesia desci
a rua a pensar nisso atravessei o
jardim
um cão saltava a minha frente louco
com as folhas de outono que principiara
e doiravam o chão a musica digamos assim
quando
a alma aspira a ter do mundo o melhor dele
corria a minha frente subia por certo aos ouvidos
de Deus com a ajuda de um cão que nem sequer
me pertencia
madura
canta o sol na neve o melro azul
não
são as coisas os próprios animais
os próprios animais brilham de uma
luz
acariciada quando o inverno se
aproxima
dos nossos olhos a transparência
das estrelas
tornam -se fonte da sua aspiração
sò
isso faz com que durem ainda assim
o coração
onde
o lume foi acesso uma casa
que
um areal deserto que nem
casa fosse sò um lugar onde
o lume
foi aceso e a sua volta sentou
- se a alegria e aqueceu as mãos
e partiu
porque tinha um destino coisa simples
e pouca
mas destino crescer como uma árvore
resistir a invernia e certa manhã sentir
os passos dee Abril ou quem sabe ... a
floração dos ramos secos e de novo estremecem
com o repentino canto da cotovia
com
a boca com os olhos
com os dedos procura
tocar
a terra cheia do teu
coração
outra vez
silêncio
o que te chega aos ouvids
è
musica ainda tenta uma vez
mais
levantar a mão atè ao abafo
da
primeira estrela a pupila
atenta
ao rumor de cada sílaba
rio
onde o meu se perde
se
escuto sò oiço um rumor
de
mim nem o sinal mais
brveve
no
pulsar do coração como
uma
musica flagrante e cristalizadora
como
a água melódica do encontro mesmo
que
não queiram escutar ela invade a nossa
mente
nas palavras
por dizer embora pairem nuvens
sobre
o sol do contacto que a ausência
impacienta
compareças
sentir -te - ei mesmo que te
recuses
beber - te - ei ainda que te
dissipes respirar - te - ei
na tempestade do deserto no caos
da agonia
feita êxtase temor fúria e adoração
são despojos soterrados ocultamos o
amor
que crucificamos no presságio das
normas
insensatas calcinadas de teias dissipadas
em
espirais de espuma para là do tempo esvoaçante
ressoando
em correntes liquidas transfiguradas cumprindo
insónia
de sangue roxo improvável sem retorno dilacerando
o melhor de nòs como se o amor fosse abolir a génese
dos afectos petrificar sensações crispar fluidos silenciados
são tão belas as flores e vegetam
me
cegou como o da curvatura do
vento
que tornou a própria perda na mais
preciosa
energia do começo
que verei nascer um dia
a madrugada por que serà
que nunca te direi as palavras
que precisamente guardo para ti
contigo sò sou capaz de falar
do tempo das aves de qualquer
coisa inùtil de tudo menos de amor
e naa te peço nada te ofereço senão
este coração iluminado cheio de amor por ti ...
um navio de relâmpagos em teu
coração de pedra e a voz de cidades
insubmissas levavas em teu rastro
uma aurora de espigas em teus làbios
as palavras que não temem o fogo o frio
ou a morte submerso no òdio e no terror
chegavas em cada noite e feroz recontruias
uma vez mais a esperança a terra semeavas
e por amà - la tanto ès agora o semeador a pròpria
semente oculta e violenta ...
meu amor
carregando nuvens
na aurora
correremos na relva
na areia no orvalho
seremos a estrada a poeira
o girasol ... a seara o horizonte
a lìnguagem surda dos peixes
crianças deslumbradas despenteando
à beira do rio os cabelos do sol viajandono
silêncio abrrindo as àguas
suave e fresca se inebria em mim algo itinerante e sinto - me estranhamente universal num sonho perdido no sonho tenho o passaporte do além ...