quarta-feira, 30 de junho de 2021

o tempo

começou agora que chegaste

o tempo começou em ti não

hà que conta - lo senão nos

teus braços em ti acabará um

dia e tudo terá  finado na espessura

da noite
 

liberta - me


 da pedra que me come

os passos eu chamei - te

pelo teu nome mas quando

voltaste eu já era eterno

contigo nos braços

atravesso as paredes do ódio

o muro ácido das trevas o

fundo em teus flancos cravo os

rubros esporos a madrugada
 

nos vultos que diviso

pelas ruas cruzam os meus

passos com os seus

a minha boca sò tem fome

da tua e os meus olhos

sò tem sede dos teus
 

Toco - te

com um dedo nas espáduas

do teu corpo e sùbito um

relâmpago nas águas atravessa

inconvencível noites e mares 
 

percebo o tamanho

da força que tenho

porque os teus braços

me envolvem e o nosso

suor sagrado è mais forte

que as armaduras dos fracos

no tamanho do mundo
 

o teu corpo foi esculpido

desenho asas a colorir

 vês comigo

os teus olhos são

a minha paz

os teus lábios são

o meu tormento


de dia o pássaro no meu

ouvido

a noite o demónio a dar - me

vinho a embebedar - me atè

a raiz dos teus cabelos
 

terça-feira, 29 de junho de 2021

o meu rebelde coração

quer amar - te e volta revolto

a  navegar nessas palavras em

voltas nas voltas das silabas

 encontradas a tua boca a cantar

a tua doçura reflectida nos espelhos

 das águas límpidas de mar  olha como

te vê e não como devia  olhar contempla - te

a distância mas era bem de perto que ele queria

estar constrói asas de anjo para te proteger asas

de pássaros para conseguir voar asas de borboletas

para pousar na tua pele


 

assim será a nossa vida

uma tarde sempre a aquecer

uma estrela a pagar - se na

treva de um caminho entre

dois túmulos por isso precisamos

de falar baixinho pisar com leveza e

 ver a noite e dormir em silêncio
 

pronuncio a vida


 em si mesma simples e grave

pois por isso fomos feitos para

para a esperança no milagre para

a participação da poesia e ver a

face da morte de repente nunca

mais esperamos hoje a noite è jovem

da morte apenas nascemos imensamente

para ver a face da morte acenar imensamente

lembranças para fazer chorar mãos para

 enterrarmos os nossos mortos e sermos enterrados

por isso temos os braços longos para o adeus dos adeuses

mão para colher o que foi e dedos para cavar a terra e assim

 será a nossa vida  uma tarde sempre a aquecer

movo -me como se projectasse

a ilusão  para là da ilusão

sobre o delicado leito do

sonho ao encontro do barco

do teu corpo envolto na sombra

de um rio impreciso sem nenhuma

 cor das que foste
 

não consigo deixar

de sentir o frémito inicial

do coração como se vivesse

o momento que palpitava

nas mãos que me estendias

nas imagens que desfilam

 vibrantes por entre memórias

fulgurantes de luz e silêncio que

palavra alguma consegue desenhar


 

um raio de sol


 que a noite transparece

do dia como se um relâmpago

reportasse o filme da nossa vida 

a cores e a preto e branco porque 

não num vermelho profundo 

marcando o amor deixado num beijo

pelos teus lábios no recanto secreto

dos meus lábios ardentemente apaixonados

pelos teus ...

contigo nos braços

atravesso as paredes

          do

ódio o muro ácido

         das

trevas o fundo em teus

          flancos

cravo os esporos a madrugada
 

o delírio de luz

cor fogo numa

    combustão

lenta de ternura
 

o tempo começou

em ti não há como conta - lo

senão nos teus braços  em ti

acabará um dia mas tudo terá

 finado na espessura da noite
 

não consigo

deixar de sentir o frémito inicial

do coração como se vivesse o 

momento que palpitava nas mãos

que me estendias nas imagens que

 desfilam vibrantes por entre memórias

fulgurantes de luz e silêncio que palavra 

alguma consegue desenhar
 

MULHER

Eu  quero uma mulher

           que

caiba no meu abraço
 

o sorriso

fosse um simples

sorriso inocente de uma

 criança a devolver - nos

a esperança perdida no sonho

 adulto que nos rouba a inocência
 

serà

que alguém sabe

           o

quanto  dói ter uma

amiga virtual e saber

que nunca a poderá abraçar


 

segunda-feira, 28 de junho de 2021

invades o Éden

desprezado  que sò era lembrança

cativa de outra esfera sem penumbra

 subtis nem Tibães um sò cristal de

alegria nele o brilho da razão
 

sinto - me


 sem nenhuma certeza

e fico dia e noite a tua

         espera

bebo esse corpo fluido

de quimera que mantém

 a chama acesa  deste amor

         por ti

no renascer das cinzas

nasce a  chama

       do

amor acesa por ti

em  mim
 

terça-feira, 22 de junho de 2021

ès a flor

sou   o arque aurito  do amor

beijas a lua transcendes o sol

voas com asas de condor abraças

o cèu luzes no luar transbordas os

oceanos com o teu amor refrigeras 

a minha alma com o teu sorriso

trazes o céu a terra a lua e o  mar ès

o oceano calmo e sereno cheio de luz

o principio e o fim como Deus ...
 

sexta-feira, 18 de junho de 2021

Boa noite Porto

o  que mais poderei eu poderei dizer desta nobre

                      cidade

das pessoas tão maravilhosas que são deste afecto todo que me dão para além desta gratidão que me induz a este compromisso poético em crescimento constante digno de todos nòs sò poderei agradecer por esta confiança que me dão em perfeita sintonia devo honrar todo isto este nosso maravilhoso projecto Nacional e Internacional almejo Palcos sem palas

 e sem fronteiras a minha inteira gratidão amanhã

là estarei adoro - vos isto è a minha aliança a cidade

              e ao país

 

em ti renasce o rio

que  sulcaste desde o fim

                 ao

inicio noutra idade quando

eras o sol e fruto cèu e haste
 

aqui te sonho

aqui aguardo aguardarei

               a

tua vinda não te demores

             cresce

na noite que me cobre

aqui  te sonho e sonharei

mesmo quando por mim

             passares

e eu vergue ao peso do teu

                hálito

aqui passado presente e futuro

se cruzam e confundem o tempo

paira suspenso ansioso do rumor 

dos teus passos


 

sim meu amor

mesmo vergados floridos de

                 tormentos

e de espanto sob a amarga

                 primavera

de destroços somos nòs ainda 

a semente o rio a estrada onde 

indestruidos ressoam os passos

                   e

a\s vozes da nossa jornada
 

sòs no pavor deste mar

de chamas abraçados

      submersos

no caos no asco na maldição

           apocalíptica

ainda nos resta querida ... ah

ainda nos resta o nosso amor

a nossa espantosa fecunda serenidade
 

quinta-feira, 17 de junho de 2021

vem meu amor

e vergados floridos

           de

tormentos sob esta

        amarga

primavera de destroços

          sórdidos

e divinos uma vez mais

       reconstruamos

nossa humana face


 

os corpos voaram imateriais

como o fogo  que não

          agarramos

mas queima dir - se - ia

              que

o amor se è que passou

               fere

ainda muito mais do que

              quando

realmente  encandecia


 

em ti começou o tempo

não há que conta - lo senão nos teus

                           nos

teus braços   em ti acabará um dia mas

                          então

tudo terà findado na espessura da noite

                          próxima

corre ò estrela gloriosamente brilha antes

                            que

para sempre nos espaços te afundes e percas

para os nossos olhos




 

ergue lenhador o teu machado

assenta o golpe no tronco necessário

                  dà

começo ao teu trabalho golpe a golpe

                 ergue - te

à consciência do tempo que crias e 

independentemente  de ti ò lenhador te 

arrasta implacável e sereno assim querida 

te golpearei te beijarei onde não ès mais que

 o teu próprio principio para além da carne

que te veste harmoniosamente sò de te ver

desfaleço te possuirei para além da lua


em ti a suavidade

a força a medida exacta

                a

palavra um sò vez dita

em ti a arquitectura a musica

            perfeita

a harmonia das cores e dos volumes

em ti a poesia e a fecundidade

 

rebenta

ò árvore abandonada no inverno

                    do

àspero caminho canta ò ave intranquila

                  do

amor teu sonho de planície ... tu ès o tempo

                  meu

amor em ti minha inteira condição minha

                 miséria

e grandeza minha humanidade plena em ti

               minha dignidade

ò sopro ò renovação incessante  tenaz pura e

                    veemente

como o aço a raiva e a doçura do nosso desejo


 

em ti existo


 em ti me encontro

          em

ti espero hoje como

         ontem

e amanhã inexoravelmente

não exagero querida

falo - te  quase sem palavras

               sepultado

no silêncio e na treva deste

                 cárcere

e canto nossa gloriosa humana

                 condição


 

o tempo


 sò è valido em ti sò tu lhe dàs

                   realidade

sò tu ès o  fluir tudo està suspenso

                       em

ti a vida a esperança o desespero a

                    morte

tu ès a hora o dia  o equinócio tu

a manhã a primavera a flor os frutos

o umbigo os seios tu a noite as estrelas

                       na

profunda noite  somente a morte sò em ti

a expressão o significado antes de ti o vácuo 

a desolação a não existência


irremediavelmente

o tempo começou agora que

            chegaste

e è maravilhoso como todo

              o

seu significado se perdeu e se

             ganhou

um vazio antes de ti um vazio

              infinito

se te fores no fundo do meu coração

                 jamais

te apartarás de mim o mesmo è dizer

da tua própria essência mas verdadeiramente

reais onde existir o tempo se tu para mim não existias
 

Ritmo

nas notas que voam em círculos

                 como

bandos de pássaros sonoros

                  ritmo

nos versos ritmo no amor no

                nascimento

na morte ritmos no vento em que

                  viajarei

ritmo no vento que hoje mesmo

                sou

viagem e ritmo
 

Hora Mansa

não seja noite nem dia

a hora em que vieres

           somente

haja silêncio na cidade

            morta

e suave me toques e beijes

             na

fronte para que sò eu saiba

            que

ès chegada não haja galos a

             anunciar - te

nem ladrem cães pelas esquinas

não haja bandeiras somente uma

 estrela no fundo de mim
 

tu ès

a minha rapariga aquela

                que

que eu espero sem preconceitos

              errados

nem cinismo de espécie alguma

              porque

ès pura e digna das caricias que

               guardo

desde  o fundo  de mim
 

hei - de

espremer a carne sumarenta

               da

tua boca entre os meus lábios

             queimados

das sedes que trago desde o fundo

             de  mim

eu sei que viràs  nua no corpo e na

            alma

na hora propícia  de nòs dois  e

          rasgarei

a leiva vermelha vermelha do teu

             teu 

sexo semear- me - ei e refloriremos
 

quando viajo nos teus caminhos

ébrio solto a fantasia de outros

              dias

gémeos deste quando se acumula

                 em

mim a liberdade e o vento rumoreja

                   brandamente

na copa das árvores mas  esguias
 

não te posso ainda dizer - te


 vem meu amor ajuda - me

              a

vida custa e eu quero ser

             feliz

contigo a esperança cinge -se

de luz e tu e eu havemos de festejar

              o amor

lembrei - me de ti

e  lembrei - me de mim

              eu

sei que me ignoras

       defensor

intransigente de verdades

        trespassadas

assim te escrevo  meu amor
 

a montante e a jusante da razão

há um afluente

        e

tu ficas melindrada

         com

este vocábulo inofensivo

           de 

ti sò te conheço o nome

            de

mim quem te posso dizer que sou ?

vê tu advinha quem sou eu nesta

fronteira da vida explica - me 

se sabes a história do amor 

porque è tão dura esta hora que

do meu apego resulta uma suave gratidão
 

invento - te meu amor

sobe - me aos lábios  o desejo

                 dos

teus tonto faço - me amor

             ignorando

tudo o resto fazendo do amor

o resto de tudo e logo volta a

             sedução

a lua incendiará a madruga

             hei - de

então entusiasmar - te  empolgante

              de

fascínio tal  como um cavalo selvagem

 corroborando de alegria 
 

MEU AMOR

Pergunto  pela aventura de te

             encontrar

pois sò te quero  a ti no ponto

em que depois de tudo te sinta

              unicamente

para além deste lugar basta- me

                 o

contacto  da tua pele chega - me o 

movimento dos teus olhos tento

 saber -te na minha presença porque

quero  guardar para ti o encanto de

descobrires que assim te quero mais
 

o teu olhar

bateu - me na face a lua

       iluminava - te

e descobri a tua face pacifica

lembro - me do teu movimento

         acolhedor

a tua vontade feliz a hora è tua

canta as estrelas do firmamento

           beija

a tua mãe querida fala - nos com um

            gesto

de amor adolescente jovem visitaste

o meu coração não te esquecerei já mais
 

uma brisa

suave e fresca se inebria em mim algo itinerante e sinto - me estranhamente universal num sonho perdido no sonho tenho o passaporte do além ...