sábado, 31 de julho de 2021

os meus olhos

são um barco de papel

galgam o rio perdem

as margens e a meio da viagem

asas nos frágeis limites de um

cordel junto às nuvens o mesmo

rio já è outro e os meus olhos

 inventam nos teus olhos o rumor

de água no canto íntimo de um corcel
 

amar

a ternura de um olhar

como se fosse um pássaro

e entre nòs  sobrevoasse

o céu e o mar
 

uma janela abre - se

em pétalas de sol

embala o amanhecer

insone da ternura e os

sonhos florescem nas mimosas

e as mãos moram em versos e em

sorrisos e o meu olhar de gaivota

em revoada canta o nosso silêncio


desnudado
 

uma nuvem

que se desfaz em pó de sonhos

desagua na manhã suspensa

da primavera e os pássaros jazem

inquietos e as sombras desabitam

as casas e os olhos e o meu corpo 

apagado de açucenas reflecte um

silêncio desnudado
 

esboço abandonado

 

como aquele sonho

que ficou suspenso

inacabado no instante

em que acordo traços

irregulares como as escolhas


que deixo aos outros pòlens levados

pelo vento mãos impróprias sujas

do carvão do desejo que não rasgo

na minha pele sobra um lápis interrompido

na promesssa de um beijo 

lugar de sol

no interior das minhas mãos

guardo a maresia do teu olhar

è porque o mar precede o tempo

de amar há um lugar de sol na minha

pele depois das tuas mãos
 

escreve - me muitas vezes


 como o percurso ininterrupto das formigas

o ritmo do girassol devolvido a condição

de flopr e o reflexo das nuvens no interior

dos rios guardados nas minhas mãos

escreve - me tantas vezes quantos os nocturnos

quase vazios entre as estrelas os quebrantes de mar 

aos pès prateados da lua e as intuições anunciadas

 na respiração dos teus dedos dos amantes

nunca deixes de me escrever como se o tempo

das palavras fosse o de regresso confirmado na 


existência e docilidade

das pedras nunca deixes

de me sentie

se eu soubesse dar as palavras

o rumor lento e raso

dos teus dedos sagrar

o ritmo das inconfidências

no crepúsculo de um poema

e silenciar as esperas na última

 pausa de um beijo deixar - te - ia

este poema num recanto da tua pele
 

invento um imenso lugar

de regresso nestas mãos que agarram

os dias como uma paisagem frágil

de papoila a maresia na curva de um

 poema os contornos opacos do vento

do último contorno de um cello o retorno

a impaciência ternura dos teus olhos e nessa 

geografia de invisíveis plenitude abre -se um

par de asas em quebranto de tempo



 

acorde simples

da madrugada insone

da cortina que amanhece

dos olhos que jazem do espelho

acorde simples

de um poema que as mãos pedem

cerejas e afagos recusam escrever
 

não há claustros

em amar os teus olhos

e o vento entregas a espada

do tempo pelo sonho e porque

não há claustros em amar as tuas

mãos quero a formiga incansável

da ternura
 

deslizo o poema

pela curvatura do tempo lento

dos advérbios e intimamente colho

as tuas mãos entre o canteiro das

estrelas e quando a madrugada

adormece prolongo a ternura nos


contornos interminàveis dos instantes

intensamente acontecidos e docemente

acordo no teu olhar
 

da - me a tua mão

faz dela o espelho

da minha e lentamente

define os contornos dos meus

dedos pelos teus sente o prelúdio 

de ritmo do meu pulso e observa

como o respirar absorve o desaguar

de duas linhas côncavos na mesma

ìntima existência sou a tua mão


 

mãos em árvore

raìzes de sonho

que nos silenciam

na queda de uma folha
 

mãos que abrem

o silêncio de um beijo

mãos que tecem os instantes

do arco - íris

mãos que catam o quebranto

dos olhares


mãos flores mãos chuvas

mãos pássaros que na minha

alma esquecem - se de voar


 

sexta-feira, 30 de julho de 2021

uma imagem de àrvore

uma expressão lente

de passagem em gestos 

aproximados à nudez

observa os meus dias

como se a luminosidade

das folhas que morrem

pela tarde fosse um desses

lugares onde as aves circulam

por extenso e onde reconheço

que sou a espécie migratória
 

para além do fim das coisas

há um murmúrio

que permanece

pelo entardecer

como se o silêncio

fosse uma outra morte


no limite da eternidade
 

reencontro a intimidade


 da vegetação na errância liquida 

das cores pelo fim  do verão

Setembro è uma corrente de água

e de sombras rente aos gestos inacabados

da escrita

por vezes hà poemas assim

poemas cor de sol

na pele madrugada

de verão que trazem

a cor de mel de uma

planície em flor


que desaguam na cor de poente

incendiado por um olhar de ternura
 

manhã azul cinzenta

levemente baça de verão

as mimosas suspensas

amarelos ausentes

flores tímidas promessas

de arco - ìris pàssaros

silenciosos simples traços

de carvão asas de papel

crianças muitas crianças

sorrisos claro não sorrisos

claros

nem sequer em fuga sorrisos de estátuas

nos meus olhos sò nos meus olhos sem

beijos poema sem verbos morto
 

claridade nocturna do rio

identifica o rumor

das nossas mãos

litoral margem

abismo silêncio

quando se despem

da lua
 

amanheço na íris transparente

das palavras que a madrugada

humedece nas tuas mãos traço

um fio de voo àrea passagem

horizonte pressentido desde o

ângulo inquieto do meio dia

à curva em ausência do poente que

 desagua no poema estatuário dos meus

olhos


adormeço garça revoada na oblíqua luminosidade

da lua à flor do silêncio na tua boca

 

coincide comigo

a sequência perfeita

do que ainda não existe

escrevo lua com argila

nominàvel dos dias e observo

que a geometria expressiva

dos espelhos desemboca no rumor côncavo

das mãos trajectòria alfazema de estrelas avisam

os antigos procurando a disposição das pedras e

 das causas sou esse não lugar que chega da

 luminosidade das grinaldas
 

è sempre no inesperado


 que o sono convoca - me

à visibilidade dos sonhos

e de uma dança crepuscularmente

oposta a pálida lua a superfície da dolência

há gestos que os outros dizem serem meus

e que flutuam numa paisagem de hesitações

consigo imagina - la levemente ritmada

de âmbar e silêncio e com estilhaços

desmemorizados de vento e por um ombro

infinito demoro - me na ausência dos mastros

e das viagens inexistentes do horizonte o mar està por

 perto e a dança prolonga - se num ângulo de respiração 

alguém murmura sonho


uma noite em cada astro

mais noite em nocturno

inclinado em quebranto

de lua um corpo em cada onda

mais corpo em ausência possível

em insinuação de regresso

uma bruma em cada farol

mais bruma em mùrmurio suspenso

em avesso de búzios

um lugar em cada despedida

mais lugar em linguagem invisível

em descuidado de eternidade e uma

plenitude em silêncio mais mar



 

hà uma noite insone

nos meus dedos

promessas de madrugada

fio de luar e uma errância

de astros e enlevos anunciada

num silêncio por abotoar

há um vento  sonâmbulo sem medos

que me desalinha docemente o respirar

e uma inquieta geografia de segredos

de onde intacto quero regressar


ergo - me à imagem nítida de um delírio

numa paisagem indizível de ternura e o tempo

suspende - se como um rio em danças de volùpia semi - nuas  por fim quebra - se a lua em agonia no corpo numpressàgio de dia no meu corpo
 

luas ainda

pelo interior da infância

margens sem sequência

de água atè um regresso

de risos inconscientes

húmidos e insinuantes

feminina expressividade

de um lugar onde a inocência

è um ângulo de contrastes

num presságio de rio onde a noite

è ainda luas
 

eu me angustio

desespera - me não me perder da comédia

ridícula e falsa para me integrar definitivamente

no drama sinto curiosidade da minha carne curiosa

prende - me às palavras implorantes que ambos trocam

na agitação do sexo tento fugir para a imagem oura e melódica

mas ouço terrivelmente tudo sem puder tapar os ouvidos num

impulso fujo para longe do casal impudico para somente poder

ver a imagem mas è tarde olho o drama sem lhe penetrar a beleza

a minha imaginação cria o fim da comédia que è sempre o mesmo

fim e penetra - me na alma uma tristeza infinita como se para mim


tudo tivesse morrido

 

desde sempre a minha frente

no cinema escuro vejo imagens

musicalmente narrativas narrando

a beleza suave de um drama de amor

nas minhas costas no cinema escuro

e silencioso ouço vozes surdas e silenciadas

vivendo a miséria da comédia da carne

cada beijo longo e casto corresponde a cada

beijo ruidoso e sensual da comédia a minha

alma recolhe a caricia de um e a minha carne

 a brutalidade do outro eu me angustio

 

Chega - te atè mim

tristeza senta - te aqui

comigo nesta mesa de bar

beba do meu copo


da - me o te ombro

para eu chorar de tristeza

por te ter amado
 

votos de um óptimo fim de semana

logo estaremos nòs com os poemas

embutidos em flores numa nova face

sem dedicatória especifica isso foi uma 

face que passou jamais voltará acontecer

o nome foi apenas fictício a Ana pode ser

 cada uma de vocês foco este projecto na

poesia è um projecto poético de todos nòs grato 

pela vossa colaboração este projecto não existiria sem o vosso apoio agradeço do fundo de mim a vossa compreensão e o vosso

carinho moram todos no meu coração pela poesia e pela vida
 

a vida è uma peça de teatro


 que não permite ensaios

por isso cante chore

viva intensamente

antes que a cortina se feche

e a peça termine sem aplausos


Charles Chaplin

Edgar Mori O Caminho para o Futuro da Humanidae

Fronteiras de Pensamento 2011 Edgar Mori  sociólogo Francês discute o que chama de Crise Geral  da Humanidade na sua Conferência ao Fronteiras de Pensamento de acordo com o sociólogo para encontrar respostas aos problemas actuais è preciso abraçar o que ele considera o Maior Desafio actual Globalizar e Desglobalizar ao mesmo tempo para estimular a possibilidade de coexistência destas facetas  aparentemente opostas Edgar Mori passa por inúmeros campos da vida contemporânea analisando problemas e oportunidades segundo ele a base para compreender a serie de crises que estamos a viver è a ambiguidade da globalização por um lado se os problemas contemporâneos agora são Globais por outro as Nações nunca antes foram tão interligadas em uma mesma comunidade e concluiu diante de tantas incertezas devem surgir novas apostas e estratégias que reconheçam os erros do caminho e 

e que tentem abordagens inovadoras em direcção

a um mundo não perfeito mas melhor
 

O Caminho para o Futuro da Humanidade - Edgar Mori

para mim o problema da felicidade è subordinada

a aquilo que eu chamo de O Problema da Poesia

da Vida ou seja a vida a meu ver polariza entre a prosa

ou seja as coisas que fazemos por obrigação que não nos interessam

para sobreviver e a poesia o que nos faz florescer o que nos faz amar

e comunicar e isso è o que è importante então eu digo que o verdadeiro

problema não è a felicidade a felicidade è algo que depende de uma multiplicidade de condições

e eu diria mesmo que o que causa a fragilidade è frágil porque por exemplo no amor de uma pessoa se essa pessoa morre ou se vai embora cai - se da felicidade a infelicidade noutras palavras não se pode sonhar com a felicidade contínua para a humanidade è impossível porque a felicidade depende de uma soma de condições então por outro lado o que se pode dizer pode - se tentar favorecer tudo o que permita a cada um viver poeticamente a sua vida e se tu vives  poeticamente tu encontras momentos de felicidade

momentos de êxtase momentos de alegria e na minha opinião è isso
 

volta ò alma


 ao lugar de onde

partiste

o mundo è bom

o espaço è muito

triste


talvez tu possas ser

feliz um dia

despertar à luz do dia

ver o mundo amar

um novo amor

sorrir para poder

chorar crescer saber

ser saber haver e saber perder


sofrer ter horror de ser e amar

sentir - se maldito

esquecer tudo

ao ver o novo amor

viver intensamente

esse amor e morrer a conjugar

o infinito
 

quinta-feira, 29 de julho de 2021

a sua poesia

è a razão da sua existência

ela o faz puro grande e nobre

e o consola da dor e o consola

da angùstia
 

o poeta tem o coração claro das aves

e a sensibilidade das crianças

o poeta chora mansamente com

lágrimas tristes olhando o espaço

imenso da sua alma o poeta sorri

sorri a vida e a beleza è a amizade

sorri com a sua mocidade a todas as 

mulheres que passam o poeta è bom

ele ama as mulheres castas e as mulheres 

impuras a sua alma as compreende na luz

e na lama ele è cheio de amor para as coisas da vida


e è cheio de respeito para as coisas da morte

o poieta não teme a morte o seu espìrito penetra 

a sua visão silenciosa e a sua alma de artista possui cheia de um novo mistèrio


 

o poeta è o eterno errante dos caminhos

que vai pisando a terra olhando

o céu preso  pelos extremos intangíveis

cariando como um raio de sol a paisagem da vida
 

a vida do poeta tem um ritmo

diferente ele è um continuo de dor angustiante

o poeta è um destinado de sofrimento que lhe

clareia a visão de beleza e a sua alma è uma parcela

de infinito distante que ninguém sonda e ninguém

compreende 


 

a maior solidão è a do homem encerrado


 em si mesmo no absoluto de si mesmo

e que não dà a quem pede o que ele  pode dar

de amor de amizade de socorro o maior solitária è o que tem medo de amar o que tem medo de ferir e de ferir - se o ser casto de mulher do amigo do povo do mundo esse queima a lâmpada triste cujo o reflexo entristece tambèm tudo em seu torno ele è a angùstia do mundo que reflecte ele è o que se recusa às verdadeiras fontes da emoção as que são património de todos e encerrado ao seu duro privilegio semeia pedras do alto da sua triste e desolada torre

solidão

a maior solidão è a do ser que não ama

a maior solidão è a do ser que se ausenta 

que se defende que se fecha que se recusa

de participar da vida humana
 

rever - te meu amor

e para rever - te esqueci - me de tudo

fui cego estropiado surdo mudo vi a

minha humilde morte cara a cara

rasguei poemas mulheres horizontes

fiquei simples sem fonte
 

o verbo no infinito


 a ser criado gera - se

transformar o amor em

carne e a carne em amor

nascer respirar chorar adormecer

e nutrir para poder chorar

a vida toda dói

o amor dói sempre

sò não dói depois de morto

porque a vida toda è uma

dor amar dói 
 

faço - te uma jura

sò tenho um pensamento

serei teu atè morrer

não perderei este jeito de te falar

devagarinho de de repente dar - te

muito carinho se tu quiseres ser a

minha namorada ah que linda namorada

tu serias somente minha a que mais

ninguém poderia ter
 

choras bem mansinha

sem eu saber porquê

se tu quiseres ser

a minha namorada

para valer aquela

amada pelo amor predestinado


sem o qual a vida è nada

sem o tal amor se quer morrer
 

tens de caminhar comigo


 no meu caminho talvez

ele para ti seja triste os

teus olhos tem de ser

sò dos meus olhos

os teus braços o meu ninho


no silêncio tu tens de ser

a minha estrela derradeira

minha amiga e companheira

no infinito de nòs dois

nada como viver

sempre assim juntos

querer e muito

nada como ter alegria

de viver e ver o o nascer do sol 

a surgir sempre no seu  resplendor

nada como ter o amor

 

para te amar intensamente


 tens de ser a derradeira

estrela minha amiga e

companheira no infinito

de nòs dois

uma brisa

suave e fresca se inebria em mim algo itinerante e sinto - me estranhamente universal num sonho perdido no sonho tenho o passaporte do além ...