galgam o rio perdem
as margens e a meio da viagem
asas nos frágeis limites de um
cordel junto às nuvens o mesmo
rio já è outro e os meus olhos
inventam nos teus olhos o rumor
de água no canto íntimo de um corcel
galgam o rio perdem
as margens e a meio da viagem
asas nos frágeis limites de um
cordel junto às nuvens o mesmo
rio já è outro e os meus olhos
inventam nos teus olhos o rumor
de água no canto íntimo de um corcel
embala o amanhecer
insone da ternura e os
sonhos florescem nas mimosas
e as mãos moram em versos e em
sorrisos e o meu olhar de gaivota
em revoada canta o nosso silêncio
desnudado
desagua na manhã suspensa
da primavera e os pássaros jazem
inquietos e as sombras desabitam
as casas e os olhos e o meu corpo
apagado de açucenas reflecte um
silêncio desnudado
como aquele sonho
que ficou suspenso
inacabado no instante
em que acordo traços
irregulares como as escolhas
que deixo aos outros pòlens levados
pelo vento mãos impróprias sujas
do carvão do desejo que não rasgo
na minha pele sobra um lápis interrompido
na promesssa de um beijo
guardo a maresia do teu olhar
è porque o mar precede o tempo
de amar há um lugar de sol na minha
pele depois das tuas mãos
o ritmo do girassol devolvido a condição
de flopr e o reflexo das nuvens no interior
dos rios guardados nas minhas mãos
escreve - me tantas vezes quantos os nocturnos
quase vazios entre as estrelas os quebrantes de mar
aos pès prateados da lua e as intuições anunciadas
na respiração dos teus dedos dos amantes
nunca deixes de me escrever como se o tempo
das palavras fosse o de regresso confirmado na
existência e docilidade
das pedras nunca deixes
de me sentie
dos teus dedos sagrar
o ritmo das inconfidências
no crepúsculo de um poema
e silenciar as esperas na última
pausa de um beijo deixar - te - ia
este poema num recanto da tua pele
os dias como uma paisagem frágil
de papoila a maresia na curva de um
poema os contornos opacos do vento
do último contorno de um cello o retorno
a impaciência ternura dos teus olhos e nessa
geografia de invisíveis plenitude abre -se um
par de asas em quebranto de tempo
da cortina que amanhece
dos olhos que jazem do espelho
acorde simples
de um poema que as mãos pedem
cerejas e afagos recusam escrever
e o vento entregas a espada
do tempo pelo sonho e porque
não há claustros em amar as tuas
mãos quero a formiga incansável
da ternura
dos advérbios e intimamente colho
as tuas mãos entre o canteiro das
estrelas e quando a madrugada
adormece prolongo a ternura nos
contornos interminàveis dos instantes
intensamente acontecidos e docemente
acordo no teu olhar
da minha e lentamente
define os contornos dos meus
dedos pelos teus sente o prelúdio
de ritmo do meu pulso e observa
como o respirar absorve o desaguar
de duas linhas côncavos na mesma
ìntima existência sou a tua mão
mãos que tecem os instantes
do arco - íris
mãos que catam o quebranto
dos olhares
mãos flores mãos chuvas
mãos pássaros que na minha
alma esquecem - se de voar
de passagem em gestos
aproximados à nudez
observa os meus dias
como se a luminosidade
das folhas que morrem
pela tarde fosse um desses
lugares onde as aves circulam
por extenso e onde reconheço
que sou a espécie migratória
que permanece
pelo entardecer
como se o silêncio
fosse uma outra morte
no limite da eternidade
das cores pelo fim do verão
Setembro è uma corrente de água
e de sombras rente aos gestos inacabados
da escrita
na pele madrugada
de verão que trazem
a cor de mel de uma
planície em flor
que desaguam na cor de poente
incendiado por um olhar de ternura
as mimosas suspensas
amarelos ausentes
flores tímidas promessas
de arco - ìris pàssaros
silenciosos simples traços
de carvão asas de papel
crianças muitas crianças
sorrisos claro não sorrisos
claros
nem sequer em fuga sorrisos de estátuas
nos meus olhos sò nos meus olhos sem
beijos poema sem verbos morto
humedece nas tuas mãos traço
um fio de voo àrea passagem
horizonte pressentido desde o
ângulo inquieto do meio dia
à curva em ausência do poente que
desagua no poema estatuário dos meus
olhos
adormeço garça revoada na oblíqua luminosidade
da lua à flor do silêncio na tua boca
do que ainda não existe
escrevo lua com argila
nominàvel dos dias e observo
que a geometria expressiva
dos espelhos desemboca no rumor côncavo
das mãos trajectòria alfazema de estrelas avisam
os antigos procurando a disposição das pedras e
das causas sou esse não lugar que chega da
luminosidade das grinaldas
à visibilidade dos sonhos
e de uma dança crepuscularmente
oposta a pálida lua a superfície da dolência
há gestos que os outros dizem serem meus
e que flutuam numa paisagem de hesitações
consigo imagina - la levemente ritmada
de âmbar e silêncio e com estilhaços
desmemorizados de vento e por um ombro
infinito demoro - me na ausência dos mastros
e das viagens inexistentes do horizonte o mar està por
perto e a dança prolonga - se num ângulo de respiração
alguém murmura sonho
inclinado em quebranto
de lua um corpo em cada onda
mais corpo em ausência possível
em insinuação de regresso
uma bruma em cada farol
mais bruma em mùrmurio suspenso
em avesso de búzios
um lugar em cada despedida
mais lugar em linguagem invisível
em descuidado de eternidade e uma
plenitude em silêncio mais mar
promessas de madrugada
fio de luar e uma errância
de astros e enlevos anunciada
num silêncio por abotoar
há um vento sonâmbulo sem medos
que me desalinha docemente o respirar
e uma inquieta geografia de segredos
de onde intacto quero regressar
ergo - me à imagem nítida de um delírio
numa paisagem indizível de ternura e o tempo
suspende - se como um rio em danças de volùpia semi - nuas por fim quebra - se a lua em agonia no corpo numpressàgio de dia no meu corpo
margens sem sequência
de água atè um regresso
de risos inconscientes
húmidos e insinuantes
feminina expressividade
de um lugar onde a inocência
è um ângulo de contrastes
num presságio de rio onde a noite
è ainda luas
ridícula e falsa para me integrar definitivamente
no drama sinto curiosidade da minha carne curiosa
prende - me às palavras implorantes que ambos trocam
na agitação do sexo tento fugir para a imagem oura e melódica
mas ouço terrivelmente tudo sem puder tapar os ouvidos num
impulso fujo para longe do casal impudico para somente poder
ver a imagem mas è tarde olho o drama sem lhe penetrar a beleza
a minha imaginação cria o fim da comédia que è sempre o mesmo
fim e penetra - me na alma uma tristeza infinita como se para mim
tudo tivesse morrido
musicalmente narrativas narrando
a beleza suave de um drama de amor
nas minhas costas no cinema escuro
e silencioso ouço vozes surdas e silenciadas
vivendo a miséria da comédia da carne
cada beijo longo e casto corresponde a cada
beijo ruidoso e sensual da comédia a minha
alma recolhe a caricia de um e a minha carne
a brutalidade do outro eu me angustio
comigo nesta mesa de bar
beba do meu copo
da - me o te ombro
para eu chorar de tristeza
por te ter amado
embutidos em flores numa nova face
sem dedicatória especifica isso foi uma
face que passou jamais voltará acontecer
o nome foi apenas fictício a Ana pode ser
cada uma de vocês foco este projecto na
poesia è um projecto poético de todos nòs grato
pela vossa colaboração este projecto não existiria sem o vosso apoio agradeço do fundo de mim a vossa compreensão e o vosso
carinho moram todos no meu coração pela poesia e pela vida
por isso cante chore
viva intensamente
antes que a cortina se feche
e a peça termine sem aplausos
Charles Chaplin
e que tentem abordagens inovadoras em direcção
a um mundo não perfeito mas melhor
a aquilo que eu chamo de O Problema da Poesia
da Vida ou seja a vida a meu ver polariza entre a prosa
ou seja as coisas que fazemos por obrigação que não nos interessam
para sobreviver e a poesia o que nos faz florescer o que nos faz amar
e comunicar e isso è o que è importante então eu digo que o verdadeiro
problema não è a felicidade a felicidade è algo que depende de uma multiplicidade de condições
e eu diria mesmo que o que causa a fragilidade è frágil porque por exemplo no amor de uma pessoa se essa pessoa morre ou se vai embora cai - se da felicidade a infelicidade noutras palavras não se pode sonhar com a felicidade contínua para a humanidade è impossível porque a felicidade depende de uma soma de condições então por outro lado o que se pode dizer pode - se tentar favorecer tudo o que permita a cada um viver poeticamente a sua vida e se tu vives poeticamente tu encontras momentos de felicidade
momentos de êxtase momentos de alegria e na minha opinião è isso
um novo amor
sorrir para poder
chorar crescer saber
ser saber haver e saber perder
sofrer ter horror de ser e amar
sentir - se maldito
esquecer tudo
ao ver o novo amor
viver intensamente
esse amor e morrer a conjugar
o infinito
o poeta chora mansamente com
lágrimas tristes olhando o espaço
imenso da sua alma o poeta sorri
sorri a vida e a beleza è a amizade
sorri com a sua mocidade a todas as
mulheres que passam o poeta è bom
ele ama as mulheres castas e as mulheres
impuras a sua alma as compreende na luz
e na lama ele è cheio de amor para as coisas da vida
e è cheio de respeito para as coisas da morte
o poieta não teme a morte o seu espìrito penetra
a sua visão silenciosa e a sua alma de artista possui cheia de um novo mistèrio
o céu preso pelos extremos intangíveis
cariando como um raio de sol a paisagem da vida
o poeta è um destinado de sofrimento que lhe
clareia a visão de beleza e a sua alma è uma parcela
de infinito distante que ninguém sonda e ninguém
compreende
e que não dà a quem pede o que ele pode dar
de amor de amizade de socorro o maior solitária è o que tem medo de amar o que tem medo de ferir e de ferir - se o ser casto de mulher do amigo do povo do mundo esse queima a lâmpada triste cujo o reflexo entristece tambèm tudo em seu torno ele è a angùstia do mundo que reflecte ele è o que se recusa às verdadeiras fontes da emoção as que são património de todos e encerrado ao seu duro privilegio semeia pedras do alto da sua triste e desolada torre
a maior solidão è a do ser que se ausenta
que se defende que se fecha que se recusa
de participar da vida humana
fui cego estropiado surdo mudo vi a
minha humilde morte cara a cara
rasguei poemas mulheres horizontes
fiquei simples sem fonte
transformar o amor em
carne e a carne em amor
nascer respirar chorar adormecer
e nutrir para poder chorar
serei teu atè morrer
não perderei este jeito de te falar
devagarinho de de repente dar - te
muito carinho se tu quiseres ser a
minha namorada ah que linda namorada
tu serias somente minha a que mais
ninguém poderia ter
se tu quiseres ser
a minha namorada
para valer aquela
amada pelo amor predestinado
sem o qual a vida è nada
sem o tal amor se quer morrer
ele para ti seja triste os
teus olhos tem de ser
sò dos meus olhos
os teus braços o meu ninho
no silêncio tu tens de ser
a minha estrela derradeira
minha amiga e companheira
no infinito de nòs dois
querer e muito
nada como ter alegria
de viver e ver o o nascer do sol
a surgir sempre no seu resplendor
nada como ter o amor
suave e fresca se inebria em mim algo itinerante e sinto - me estranhamente universal num sonho perdido no sonho tenho o passaporte do além ...